quarta-feira, 13 de abril de 2011

RISCOFOBIA

Lendo a matéria: "Riscofobia gera mais ansiedade que prevenção, diz especialista", na Folha.com, Equilíbrio e Saúde, de 11 de abril de 2011 -, fiquei ainda mais convicto de tudo que penso sobre essa mania, que eu diria até "tara" que vivemos hoje – O MEDO!

Não quero aqui fazer apologia a uma vida desregrada, nem que não tomemos o devido cuidado ao atravessar uma rua. Contudo, estou ficando cheio de todos esses "especialistas em tudo" que ficam nos dizendo o que devemos fazer, o que não devemos fazer, como podemos e como não podemos fazer.

Estamos fabricando um mundo de medo. Não coma "isso" que lhe fará mal a saúde! Não beba "aquilo" que você vai ter sirrose hepática! Não ande sozinho nas ruas! Comer muito faz mal a saúde! Comer pouco faz mal a saúde! Colocamos grades nas janelas, blindamos carros, colocamos cercas elétricas, morremos de medo de energia nuclear, se chove entramos em pânico, se não chove entramos em desespero.

Além de tudo temos a infeliz mania de copiarmos todas as mazelas dos norte-americanos e a da moda é #medodetudo.

Todo esse excesso de medidas preventivas quanto aos "possíveis" riscos é bom ou ruim para a nossa saúde física e mental?

Será que um dia seremos capazes de controlarmos todos os imponderáveis das nossas vidas? Ou será que isso só vai nos trazer mais ansiedade, infelicidade e baixa qualidade de vida?

Um versículo Bíblico diz: "Não andeis ansiosos de coisa alguma..." Será que não é hora de seguirmos essa orientação, para o nosso próprio bem, independente de credo ou religião?

Eu creio que antes de ficarmos tão presos ao que podemos ou não fazer, devemos buscar fazer tudo aqui que nos dê prazer, pois a vida é muito curta e as fases da vidas são ainda mais efêmeras.
Quantas pessoas nunca beberam, nunca fumaram, viviam preocupadas em excesso com a alimentação e morreram jovens?

Segue abaixo alguns trechos da entrevista realizada por Iara Biderman, com o médico Luis David Castiel, epidemiologista, que estuda os fatores associados à difusão ou à prevenção de doenças - os chamados fatores de risco.
 http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/901040-riscofobia-gera-mais-ansiedade-que-prevencao-diz-especialista.shtml

http://marconipimenta.blogspot.com/2011/04/na-era-da-riscofobia-queremos-controlar.html

Não é contraditório um epidemiologista questionar o conceito de risco?

Luis David Castiel - Hoje em dia, a gente tem que justificar o papel da crítica. A academia está se tornando um local produtivista, e a crítica atrapalha o bom andamento dos trabalhos e resultados. Estamos numa era, para usar o clichê, da medicina baseada em evidências.

E qual o problema com a chamada "evidência"?

Vou ficar meio pernóstico, mas tudo bem: a evidência parte de um pressuposto de que a realidade é uma coisa autônoma, definível e independente da gente. Há uma espécie de premissa que não é esclarecida. E há também uma produção de evidências que está diretamente ligada à produção de mercadorias: remédios, equipamentos...

O conceito de risco em saúde também tem esse lado?

Tem, ele cria uma indústria de avaliação de risco que vende segurança. Vi uma propaganda de uma companhia de seguros que dizia: "Vai que...". Quer dizer, vai que acontece, então você não pode relaxar, tem que ficar atento. Isso aumenta a ansiedade em relação ao risco, que gera o impulso para fazer algo, ter ou consumir algo que possa controlá-lo.

Esse é o principal problema das avaliações de risco?

Tem também um lado opressivo que me incomoda. Uma dimensão moralista, que rotula as pessoas que se expõem ao risco como displicentes e que, portanto, merecem ser punidas [pela doença], se acontecer o evento ao qual estão se expondo.

Estamos à mercê dessa prescrição constante que a gente tem que seguir. Na hora em que você traz para perto a ameaça, tem que fazer uma gestão cotidiana dela. Não há como, você teria que controlar todos os riscos possíveis e os impossíveis de se imaginar. É a riscofobia.

terça-feira, 12 de abril de 2011

INVISÍVEL

Eu recebi este texto por e-mail e não tenho como confirmar a autoria, o que faria com o maior prazer, pois independente de se aconteceu ou não de verdade, a história é verdadeira.
Vemos todos os dias e as nem vemos casos de pessoas que se tornam invisíveis. Essas pessoas não precisam ser um gari ou um morador de rua.
Quantas vezes eu mesmo passei por um morador de rua, coloquei a mão no bolso, peguei alguns trocados e lhe dei, como se tivesse fazendo uma boa ação, mas que não verdade nem o respondo, quando ele me diz "obrigado". Outras vezes nem dava nada e virava o rosto pra não dar nada. Mas na verdade o que ele queria mesmo era apenas um pouco de atenção. Alguém que o visse!
As vezes é até um parente nosso: Pais, avós, esposas, esposos, tios, irmãos, amigos, vizinhos etc.
Pessoas que as vezes só querem um "bom dia"; "como foi o seu dia?"; "como você está?"; "está precisando de alguma coisa?" Enfim...ELES SÓ QUEREM SAIR DA INVISIBILIDADE.

TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO

"O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE"

"Fingi ser gari por 1 mês e vivi como um ser invisível"

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da "invisibilidade pública". Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.
(Plínio Delphino, Diário de São Paulo.)

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.

Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'.

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: 'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.

'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço.

Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro.

Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:

"E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?" E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central.
Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de um mês trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.

Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa.

Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.

Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.

Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma "COISA".

*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida! 

sábado, 9 de abril de 2011

O Psicopata e o Gato

Na semana em que todos nós ficamos estarrecidos com a tragédia acontecida numa escola no Rio de Janeiro em que várias crianças foram feridas e 12 foram brutalmente mortas, resolvi postar parte de uma matéria que fala sobre psicopata.


"O psicopata é como o gato, que não pensa no que o rato sente. Ele só pensa em comida. A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sempre sabe quem é o gato"

O trabalho do psicólogo canadense Robert Hare, de 74 anos, confunde-se com quase tudo o que a ciência descobriu sobre os psicopatas nas últimas duas décadas. Foi ele quem, em 1991, identificou os critérios hoje universalmente aceitos para diagnosticar os portadores desse transtorno de personalidade. Hare começou a aproximar-se do tema ainda recém-formado, quando, trabalhando com detentos de uma prisão de segurança máxima nas proximidades de Vancouver, ficou intrigado com uma questão: "Eu queria entender o motivo pelo qual, em alguns seres humanos, a punição não tem efeito algum". A curiosidade levou-o até os labirintos da psicopatia – doença para a qual, até hoje, não se vislumbra cura. "O que tentamos agora é reduzir os danos que ela causa, aos seus portadores e aos que os cercam."

Um psicopata nasce psicopata?
Ninguém nasce psicopata. Nasce com tendências para a psicopatia. A psicopatia não é uma categoria descritiva, como ser homem ou mulher, estar vivo ou morto. É uma medida, como altura ou peso, que varia para mais ou para menos.

O senhor é o criador da escala usada mundialmente para medir a psicopatia. Quais são as características que aproximam uma pessoa do número 40, o grau máximo que sua escala estabelece?
As principais são ausência de sentimentos morais – como remorso ou gratidão –, extrema facilidade para mentir e grande capacidade de manipulação. Mas a escala não serve apenas para medir graus de psicopatia. Serve para avaliar a personalidade da pessoa. Quanto mais alta a pontuação, mais problemática ela pode ser. Por isso, é usada em pesquisas clínicas e forenses para avaliar o risco que um determinado indivíduo representa para a sociedade.

Todo psicopata comete maldades?
Não necessariamente com o intuito de cometer a maldade. Os psicopatas apresentam comportamentos que podem ser classificados de perversos, mas que, na maioria dos casos, têm por finalidade apenas tornar as coisas mais fáceis para eles – e não importa se isso vai causar prejuízo ou tristeza a alguém. Mas há os psicopatas do tipo sádico, que são os mais perigosos. Eles não somente buscam a própria satisfação como querem prejudicar outras pessoas, sentem felicidade com a dor alheia.

Até que ponto a associação entre a figura do psicopata e a do serial killer é legítima?
A estimativa é que cerca de 1% da população mundial preencheria os critérios para o diagnóstico de psicopatia. Nos Estados Unidos, haveria, então, cerca de 3 milhões de psicopatas. Se o número de serial killers em atividade naquele país for, como se acredita, de aproximadamente cinquenta, isso significa que a participação desses criminosos no universo de psicopatas é muito pequena. Por outro lado, segundo um estudo do psiquiatra americano Michael Stone, cerca de 90% dos serial killers seriam psicopatas.

Em que medida o ambiente influencia na constituição de uma personalidade psicopata?
Na década de 20, John B. Watson, um estudioso de psicologia comportamental, dizia que, ao nascer, nós somos como páginas em branco: o ambiente determina tudo. Na sequência, entrou em voga o termo sociopata, a sugerir que a patologia do indivíduo era fruto do ambiente – ou seja, das suas condições sociais, econômicas, psicológicas e físicas. Isso incluía o tratamento que ele recebeu dos pais, como foi educado, com que tipo de amigos cresceu, se foi bem alimentado ou se teve problemas de nutrição. Os adeptos dessa corrente defendiam a tese de que bastava injetar dinheiro em programas sociais, dar comida e trabalho às pessoas, para que os problemas psicológicos e criminais se resolvessem. Hoje sabemos que, ainda que vivêssemos uma utopia social, haveria psicopatas.

domingo, 3 de abril de 2011

O Urso e a Panela

Um grande urso, vagando pela floresta, percebeu que um acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou um panelão de comida. Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo. Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo. Na verdade, era o calor da tina...

Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava. O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida. Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo. Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia.

Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida. O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.

Moral:

Quando terminei de ouvir esta história de um mestre, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes. Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes. Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero. Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos.

Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir. Tenha a coragem e a visão que o urso não teve. Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder. Solte a panela!

PS: Recebido por e-mail, enviado pelo meu irmão. Achei muito interessante, pois eu mesmo passei muito tempo agarrado em coisas que não me traziam nenhum benefio e ainda me faziam mal. Contudo, mesmo assim demorei a entender que eu deveria soltar a minha panela.
(Kilson N Silva)

sábado, 2 de abril de 2011

VERGONHA

Vergonha de ter...
Vergonha de ser...
Vergonha de estar...
Vergonha de poder...
Vergonha de não poder...

Vergonha até dos sem vergonhas.
Vergonha dos que escrevem...
Vergonha dos que não sabem escrever...
Vergonha do que escrevo.
Vergonha do que penso no meu leito.

Vergonha do que falo
vergonha de quando me calo.
vergonha de quando me fazem calar
E de quando me deixo calar.
Vergonha dos que podem e se calam.

Vergonha de que mesmo pensando,
Tendo mãos sadias e capazes
Furto-me a escrever coisas úteis
Que poderiam ajudar a mudar.
Não mudar o mundo.

Afinal o mundo anda tão mudado
E nada pode impedir essas mutações.
Sobretudo mudar a mim mesmo
Que teimo em viver na mesmice
De um dia após o outro...

Na infância não temos vergonha
Aprendemos a senti-la
Na descoberta do mal
Surgem os pudores e
Até os pseudos-pudores.

Então tiramos nossas vestes
Nos acostumamos com o que
Antes nos trazia vergonha.
Despudorados, ficamos insensíveis.
E o outro passa a ser invisível.

Vergonha, vergonha, vergonha...
Cadê você?
(Kilson N Silva)

domingo, 20 de março de 2011

Cadeiras Isofix

Quem transporta criança pequena, sabe bem a dificuldade e o trabalho que dá para instalar a cadeirinha, que é obrigatória em automóveis, utilizando o cinto de segurança do carro.

Para quem não assistiu ao Programa Auto-Esporte do dia de hoje, fica a dica: a "nova" carreirinha para criança – com sistema ISOFIX (na verdade ela já vem sendo comercializada desde 2004).

Este sistema de fixação não precisa da utilização do cinto de segurança quando da instalação da cadeira no carro. A cadeira fixa-se de forma simples ao banco de trás do automóvel, por intermédio de encaixes, que já existem nos carros mais novos.

Os riscos de cometer erros no momento da instalação são minimizados, já que basta encaixar os engates e graças à presença dos indicadores visuais que confirmam se a cadeira está instalada corretamente (aparece uma cor verde, quando está corretamente instalada).

As cadeiras com sistema Isofix foram projetadas para crianças com peso entre 9 e 18 kg (crianças de 1 a 4 anos de idade, aproximadamente).

vantagens deste sistema:

- Uma maior retenção em caso de colisão porque a cadeira está perfeitamente presa ao banco de trás do automóvel.

- Uma instalação simples e rápida.

- Os riscos de erro no momento da instalação são reduzidos, o que garante uma maior segurança.

Achei interessante esse tipo de sistema, porque conduzimos o nosso bem mais precioso – nossos filhos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vovô Ezequiel - Saudades

Logo cedo estávamos nós dois, eu e meu avô Ezequiel, sentados na areia da praia da Colônia, em Fortaleza, olhando os pescadores chegando em suas jangadas cheias de peixes.

O vô Ezequiel, como nós o chamávamos era um homem muito forte, rude, sem estudo, valente, corajoso, teimoso, como era o estereótipo da maioria dos jangadeiros e pescadores da região. Ao mesmo tempo ele tinha um lado doce, tenro e carinhoso com os netos que contrastava com o jeito durão de ser.

Mesmo contrariando a vontade da minha mãe, ele sempre me levava a praia. Ficávamos por horas observando como os pescadores tiravam as suas jangadas do mar, arrastando-as sobre rolos de madeira. Ele aproveitava pra me ensinar como se fazia para palombar uma vela.

Mas o que é palombar uma vela? Nada mais é do que cozer a vela com uma palomba (fio grosso usado para coser vela). Engraçado como depois de mais de 30 anos eu me lembro dele falando-me essa palavra tão estranha e pouco usual no nosso cotidiano – PALOMBAR.

Na volta para casa nós, invariavelmente, levávamos peixes fresquinhos para que minha avózinha Silvana, caprichosamente, preparasse nas refeições da família. Talvez por isso, peixe (cozido, assado ou frito) seja o meu prato predileto.

Meu avô morria de medo de ir ao médico. Quando ele estava doente, bastava a minha avó dizer que iria levá-lo ao médico, que ele já pulava da sua rede, afirmando que estava bem. Curiosamente, como ele temia ir ao dentista, ele mesmo arrancava os dentes, usando uma faquinha, que ela próprio fabricava.

Quando ele já estava com uma idade um pouco avançada, por causa de um problema de saúde, foi lhe recomendado pelo médico, que não deveria ir mais à praia. A resposta do vô Ezequiel foi que se ele não pudesse mais ir à praia, era melhor que morresse de uma vez, pois já se sentiria morto, por não poder fazer o que ele mais gostava na vida – ver as jangadas chegando na praia.

E assim, a família não foi capaz de impedi-lo de seguir a sua rotina favorita até o seu último dia de vida.

Ainda hoje, quando vou a praia é inevitável não me lembrar do meu velho avô.

Vô Ezequiel, meu avôzinho querido, obrigado por tudo!
(Kilson N. da Silva)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Meu Vício


Viciado em ti
Escravo dos teus desejos
A mercê das tuas vontades
Uma dose maior anseio.

Em ti tive as maiores overdoses
Fraco e sem forças de prazer
Minha solidez se desmancha em ti
Reduzindo-me ao teu querer.

Abandonado sinto calafrios
Na abstinência do teu corpo
Na falta dos teus lábios quentes
Deito e durmo sozinho...

Recuperado da tua ausência
Sigo em frente confiante
Mas eis que te provo novamente
E sei que és viciante.
(Kilson N. da Silva)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Estamos Satisfeitos?

No filme "Do Que as Mulheres Gostam", o personagem Nick (interpretado por Mel Gibson), um publicitário metido a machão, sofre um acidente no banheiro da sua casa, após cair numa banheira e logo depois cair um secador de cabelo, ligado na tomada.

Depois desse acidente ele desenvolve uma estranha habilidade de ouvir o que as mulheres pensam. Assim ele passa a saber, exatamente, o que elas querem. Quem me dera ter esse dom!

Fico imaginando como seria útil se todos que trabalham com pessoas pudessem ter essa habilidade. É claro que isso não é possível, mas se faz necessário a todos nós que trabalha com atendimento ao público, procurar ouvi-los e até instigá-los a falar o que realmente necessitam, para que possamos atendê-los da melhor maneira possível, nas suas expectativas e anseios, com o máximo de qualidade.

Isso vale também para o nosso ambiente de trabalho, uma vez que quando recebemos algumas tarefa dos nossos chefes, deveríamos tirar todas as dúvidas possíveis e de como ele espera que seja cumprida, prazos, objetivos, etc

Quando nas funções de chefia deveríamos também especificar e esmiuçar ao máximo o que desejamos dos nossos subordinados para que se evite o retrabalho (faz-desfaz-faz-desfaz), que gera desgaste físico, emocional, temporal e até no relacionamento interpessoal.

Cada vez mais, as instituições, como empresa particulares, têm se preocupado em saber o que o cliente precisa, o que quer comprar, como pretende pagar, etc. O mesmo, infelizmente nem sempre ou quase nunca acontece nas instituições públicas, onde o cliente tem que se contentar com o serviço que lhe é prestado (quando é prestado).

Também tenho visto pouco essa preocupação entre empregados e patrões, chefes e subordinados e vice-versa.

Não há mais espaço para os "se vira nos 30". Quem delega uma missão tem que se preocupar em repassar o máximo de informações e meios para quem vai cumpri-la e da mesma forma, o executante tem que “sugar” o máximo de informações disponíveis do seu chefe para que tudo transcorra da melhor maneira possível, com o menor custo de produção e com a melhor satisfação do cliente.

Entenda-se como cliente todos que se beneficiarão, direta ou indiretamente, com aquela tarefa, seja ele o usuário, os colegas de trabalho, o chefe, etc

Durante a fase de planejamento toda e qualquer sugestão deve ser bem vinda, mesma as mais absurdas. Lembre-se sempre que duas cabeças pensam melhor do que uma e que ninguém é o dono da verdade, independente de quem tem mais ou menos experiência, conhecimento ou grau de instrução.

Voltando ao filme, uma coisa que me chamou a atenção foi uma jovem arquivista, que vive isolada, com pensamentos suicidas e rejeitada pelo grupo. No fim do filme, ele consegue impedi-la de se suicidar, porque sente a falta dela, mas também porque ouvia os seus pensamentos negativistas e sabia como ela se sentia.

Quantos de nós sabemos o que se passa com os nossos subordinados fora dos muros da empresa? Quais as suas aflições? Quais os problemas que estão passando? O que tem enfrentado ao longo dos anos e até mesmo naquela semana? Qual o seu histórico familiar? Quantos de nós sabemos quem realmente são os nossos colaboradores?

Cada vez mais estamos nos esquecendo de que o Criador nos dotou de dois ouvidos, dois olhos e uma boca. Será que foi por acaso?

(Kilson N. da Silva)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um Dia a Maioria de Nós Vai Separar-se.

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!
(Vinícius de Moraes)
Ps: recebido por e-mail