Temos a humilde pretensão de observar fatos corriqueiros a partir de um ponto externo e com um mínimo de preconceitos. Além de aproveitar a leitura do mundo, por meio de outros observadores.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Volta Pra Mim!
Ando meio perdido, sentindo muito sua falta. Você que sempre esteve ao meu lado, que me fez sorrir e chorar em diversas oportunidades. Alegramos-nos e entristecemos juntos.
Estou carente. Carente de ver o seu sorriso, a sua leveza, a sua alegria, o seu bom-humor irreverente, das suas explosões de raiva, que chutava tudo e até falava palavrões. A sua apatia me entristece demais.
Onde você está? Onde você se escondeu? Mudou de nome? Em que estrada você se perdeu? Quero ir ao seu encontro e resgata-lo pra mim. Minha vida depende de você – bem e feliz!
Preciso de você pra irmos à praia, correr, suar, dançar, viajar, beber...
Será que você se perdeu nos seus sonhos? Será que você se afogou em suas mágoas e decepções? Ou será que você se afastou, simplesmente, por se afastar?
Seja lá qual for o seu motivo, eu lhe rogo que não desista nunca da vida. Seja lá quanto tempo você precisar, eu estarei sempre lhe esperando, porque a minha vida depende única e exclusivamente de você.
Não se envergonhe de voltar se tiver mudado em alguns aspectos. Não me importa as novas roupas que você está usando. Venha como você está! Estarei com os braços, o coração e a alma aberta a lhe recepcionar.
Perdoe-me pelas tantas vezes que eu lhe julguei, lhe condenei e esperei que você tomasse determinadas decisões e você fez tudo ao contrário do que eu esperava. Perdoe-me também, pelas inúmeras vezes que senti raiva de você. Talvez seja até por isso que você tenha se distanciado de mim. Simplesmente lhe critiquei, quando deveria ter lhe apoiado. Não que eu precisasse concordar com as coisas erradas que você fazia, mas eu poderia ter procurado entender os seus motivos e tudo que você estava passando naquele momento.
Volta pra mim, com a sua pureza de alma, com a sua simplicidade de ver o mundo, com a sua bondade e generosidade...
Estou mesmo precisando de você: meu EU, meu velho KILSON!
(Kilson N. Silva)
sábado, 11 de fevereiro de 2012
O Amor Acaba...
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
(Paulo Mendes Campos)
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
A Esperança de uma Relação Profunda
Conhecemos as pessoas durante anos, até mesmo dezenas de anos, habituamo-nos a evitar os problemas pessoais e os assuntos verdadeiramente importantes, mas guardamos a esperança de que, mais tarde, em circunstâncias mais favoráveis, se possam justamente abordar esses assuntos e esses problemas.
A esperança, sempre adiada, de um relacionamento mais humano e mais completo nunca desaparece completamente, porque nenhuma relação humana se contenta com limites definitivos, restritos e rígidos. Permanece, portanto, a esperança, de que haja um dia uma relação «autêntica e profunda».
E permanece durante anos, até mesmo décadas, até que um acontecimento definitivo e brutal (em geral, uma coisa como a morte) vem dizer-nos que é demasiado tarde, que essa «relação autêntica e profunda», cuja imagem tínhamos amado, também não existirá; não existirá, tal como as outras.
(Michel Houellebecq, in 'As Partículas Elementares')
sábado, 21 de janeiro de 2012
Flor da Pele (Zeca Baleiro)
Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final...
Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!
De muito dinheiro
Graças a Deus!
Mas vou tomar
Aquele velho navio
Aquele velho navio!
Barco sem porto

Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrerAndo tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de não ser
Ando tão à flor da peleQue a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final...
Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!
Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorarAndo tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de nem ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final...
Barco sem porto
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!
Oh, sim!
Eu estou tão cansado
Mas não prá dizer
Que não acredito
Mais em você
Eu não precisoDe muito dinheiro
Graças a Deus!
Mas vou tomar
Aquele velho navio
Aquele velho navio!
Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicído
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
Transitoriedade
Que me tira o sono
Que me leva pra cama
Que me faz tão feliz?Quem és tu mulher?
Que me traz a paz
Que me rouba a paz
Pôr-do-sol de inverno
Insensato coração
Amor de verão
Férias da razão
Minissérie na tv
Sonho irreal
Desejo matinal
Sentimento vendaval
Quem és tu, mulher?
Furacão de emoções
Barragem explodida
Rio que transborda
Porque és tão querida?
Quem és tu que me chama
Que me assusta e encanta?
Escravo de tuas vontades
Refém de tuas vaidades.
Que importa quem tu és?
Já não sei quem sou
Só sobrou o amor arrebatado
De um vassalo apaixonado.
(Kilson N. Silva)
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Amor Renovado
Nas noites frias do coração
Buscando não sei o quê
Vivendo sem ter razão.
Noitadas, baladas, bebidas.
Fugas fugazes da vida bandida,
Impune e errante
Solidão de acompanhante.
Nada vi nem te vi
Nem mesmo a mim percebi.
Esbarrei na sorte do destino
Ou nos destroços das lembranças?
Tropecei, mas não caí...
Sobrevivi e revivi
Ao ver o filme empoeirado
De um amor amordaçado.
Não sou mais o mesmo!
Não és mais a mesma!
Tudo muda com a vivência
Não resiste às novas experiências
Espelho da alma
Reflexo do coração
Gritos dos sentimentos
Teus olhos verdes reluzentes
Era tu que me olhavas
Como antes me encantavas
Bruxa, maga, fada
Sem saber me enfeitiçavas
Desejos a flor da pele
Boca salivaante
Borboletas no estômago
Respiração ofegante
Olhares trocados
Uma taça de vinho
Pele roçando, braços e abraços,
Quanto tempo faz?
Bastante!
Quanta diferença faz?
Nenhuma
Tal qual um filme pausado
Apesar do tempo passado
Com um play do teu corpo
O amor renovado.
Buscando não sei o quê
Vivendo sem ter razão.
Noitadas, baladas, bebidas.
Fugas fugazes da vida bandida,
Impune e errante
Solidão de acompanhante.
Nada vi nem te vi
Nem mesmo a mim percebi.
Esbarrei na sorte do destino
Ou nos destroços das lembranças?
Tropecei, mas não caí...
Sobrevivi e revivi
Ao ver o filme empoeirado
De um amor amordaçado.
Não sou mais o mesmo!
Não és mais a mesma!
Tudo muda com a vivência
Não resiste às novas experiências
Espelho da alma
Reflexo do coração
Gritos dos sentimentos
Teus olhos verdes reluzentes
Era tu que me olhavas
Como antes me encantavas
Bruxa, maga, fada
Sem saber me enfeitiçavas
Desejos a flor da pele
Boca salivaante
Borboletas no estômago
Respiração ofegante
Olhares trocados
Uma taça de vinho
Pele roçando, braços e abraços,
Mãos que se tocam, cheiros mixados.
Quanto tempo faz?
Bastante!
Quanta diferença faz?
Nenhuma
Tal qual um filme pausado
Apesar do tempo passado
Com um play do teu corpo
O amor renovado.
(Kilson N. Silva)
sábado, 7 de janeiro de 2012
Mensagem de vida
Madre Teresa de Calcutá, que foi Prêmio Nobel da Paz, entre tantos exemplos, deixou também escritos de grande valor.
Escreveu ela: Você sabe qual é o dia mais belo? Hoje.
Tinha razão. Nada se iguala ao dia que se está vivendo. O ontem é passado. Já nos trouxe a experiência e o amanhã ainda não é realidade.
E a coisa mais fácil? Equivocar-se.
Com certeza. Quantas vezes, no mesmo dia, cometemos erros? Por pressa, damos informações incorretas. Por descuido, fazemos uma anotação indevida. E assim por diante.
Com certeza. Quantas vezes, no mesmo dia, cometemos erros? Por pressa, damos informações incorretas. Por descuido, fazemos uma anotação indevida. E assim por diante.
Qual é o presente mais belo? O perdão.
Sim, o perdão é sempre extraordinário para quem o recebe e que, normalmente, aguarda ansioso por isso, desejando de alguma forma se redimir da falta praticada.
É suficiente que lembremos como ficamos preocupados quando ferimos um amigo e aguardamos a chance de nos ver de novo ao lado dele, para, de alguma forma, compensar o que fizemos de errado.
Quais as pessoas mais necessárias? Os pais.
São eles que nos transmitem a vida, nos formam o corpo, nos alimentam, nos educam. São eles que nos protegem nos primeiros anos, quando somos tão frágeis, incapazes de viver e caminhar por nós mesmos.
São eles que nos seguem, anos afora, sempre amigos, atentos, cuidadosos.
E os maiores professores? As crianças. Sem dúvida, as crianças, pela sua forma descontraída de agir, nos dão muitos exemplos da melhor maneira de nos portarmos na vida.
As crianças são simples. Expressam com facilidade seu carinho. Lutam pelo que desejam. Não têm vergonha de chorar.
O melhor remédio? O otimismo.
Quem leva a vida com otimismo, jamais se entrega ao desalento. Consegue sempre forças renovadas para lutar e vencer.
Quem leva a vida com otimismo, jamais se entrega ao desalento. Consegue sempre forças renovadas para lutar e vencer.
A expressão mais eficaz? O sorriso.
O sorriso conquista simpatias. Quando nos encontramos em lugares estranhos, entre desconhecidos, quando todos parecem um pouco assustados, o sorriso de alguém traz reconforto.
O sorriso conquista simpatias. Quando nos encontramos em lugares estranhos, entre desconhecidos, quando todos parecem um pouco assustados, o sorriso de alguém traz reconforto.
E pode ser o início de um diálogo, logo adiante.
A força mais potente do Universo? A fé.
Não foi por outro motivo que Jesus, falando a respeito da fé, disse que se a tivéssemos do tamanho de um grão de mostarda, conseguiríamos mover montanhas.
Não foi por outro motivo que Jesus, falando a respeito da fé, disse que se a tivéssemos do tamanho de um grão de mostarda, conseguiríamos mover montanhas.
Lembremos que o grão de mostarda é uma das menores sementes. É minúscula.
Finalmente, a coisa mais bela? O amor.
O amor coloca cores na paisagem, alimenta e dá forças. Por amor, uma criatura se entrega a outra criatura e se torna cocriadora com Deus.
Por amor, um Espírito Excelso veio à Terra, cantou e viveu o amor, deixando, ao partir, o mais belo poema de amor que a Terra já conheceu: o Evangelho.
* * *
Comece o seu dia agradecendo a Deus, pela bênção da vida.
Se você tem alguma mágoa da véspera, faça como o sol: esqueça a sombra e brilhe outra vez.
Use o sorriso com abundância e descobrirá como ele lhe trará precioso rendimento de colaboração e felicidade.
Lembre que a fórmula da felicidade recomenda ter para com tudo e para com todos a disposição de cooperar para o bem.
Redação do Momento Espírita, a partir de frases de Madre Teresa de Calcutá, da revista Harmonia, nº 62, de dezembro de 1999 e dos caps. 1 e 2 do livro Sinal verde, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Cec.
Em 06.01.2012
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Vai...
Da porta da casa vejo-te indo
Silenciosa e reticente
Passos lentos, olhares lúgubres
A lua se esconde por trás das nuvens
Tentando não ver-te partir
Chegada e partida
Faces de uma mesma moeda
A alegria da chegada
A dor da partida
O encanto da transição
Vai-te, amada minha!
Segue a tua jornada
Na busca dos teus sonhos
Livre das emoções dos mortais
Racionalize o teu destino
Não olhes pra trás!
Não vires estátua de sal!
Firme no teu propósito, segues
sabendo que mesmo partindo
uma parte de ti, em mim permanece
(Kilson N. da Silva)
Silenciosa e reticente
Passos lentos, olhares lúgubres
A lua se esconde por trás das nuvens
Tentando não ver-te partir
Chegada e partida
Faces de uma mesma moeda
A alegria da chegada
A dor da partida
O encanto da transição
Vai-te, amada minha!
Segue a tua jornada
Na busca dos teus sonhos
Livre das emoções dos mortais
Racionalize o teu destino
Não olhes pra trás!
Não vires estátua de sal!
Firme no teu propósito, segues
sabendo que mesmo partindo
uma parte de ti, em mim permanece
(Kilson N. da Silva)
sábado, 24 de setembro de 2011
Partida
Noite caindo, sala
vazia.
Naquela casa que
outrora alegria
Apenas um séquito
raio de luz irradia,
Nas janelas de vidros
frias.
Silêncio.
Escuridão, solidão;
somente um grito
Triste de uma coruja a
proteger a sua cria.
Sala vazia, portas
cerradas.
Amores perdidos,
Amores roubados,
Amores enganados,
Novos amores!
Novos amores?
Não! Apenas ilusões
criadas
Trazidas pelas sombras
do passado.
As portas se abrem
Uma luz parece querer
entrar
Mas tímida que é
Problemática que é
Sussurra umas palavras
incompreensíveis
Sem sentido, sem fé,
Àqueles velhos ouvidos
Acostumados às
lamúrias vencidas.
Velhas lamúrias,
Velhos amores,
Velhas esperanças,
Velhas e velhos nas
calçadas.
O que importa?
Não há mais móveis
Ficou o imóvel a se
questionar:
Pra onde foram todos?
Onde foram morar?
A lua se esconde
Não quer participar.
Onde não existe amor
Eu não vou iluminar.
Mais escuridão! Mais
dor!
Somente paira a
negritude da noite.
O silêncio aumenta!
Frio. Vento frio! Chão
frio! Pés descalços.
A roupa não aquece.
A mente não se
esquece.
O coração padece.
O arrepio solitário
sobe nas pernas,
Costas, pescoço,
pulmões.
Rostos novos, fotos
amareladas,
Discos arranhados,
tênis surrados.
Chão empoeirado,
Capacho jogado
O que sobrou além da
dor?
Novos amores!
Novos amores?
Apenas uma sala escura
e vazia
Invadida pelo silêncio
da solidão.
Portas cerradas...
Olhos fechados...
As lágrimas vêm de
dentro rolando
Feito um tsunami
Que vem arrastando
todas as entranhas
Que engancham na
garganta
Deixando com falta de
ar.
A chave foi perdida e a
A chavinha roubada.
Ninguém entra e
ninguém sai.
Apenas uma sala escura
e vazia,
Cheia de tristeza,
rancor e dor.
(Kilson N. Silva)
(Kilson N. Silva)
domingo, 1 de maio de 2011
Marcas de Batom no Espelho
Numa escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: meninas de 12 anos que usavam batom, todos os dias beijavam o espelho para remover o excesso de batom.
O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom... Um dia o diretor juntou o bando de meninas no banheiro e explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam. Fez uma palestra de uma hora. No dia seguinte as marcas de batom no banheiro reapareceram... No outro dia, o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, e pediu ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho.
O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho. Nunca mais apareceram marcas no espelho!
Há professores e há educadores...
Comunicar é sempre um desafio! Às vezes, precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados.
Por quê?
• Porque a bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade.
• Porque a paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência.
• Porque a serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença.
• Porque a tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade.
O CONHECIMENTO a gente aprende com os mestres e os livros.
A SABEDORIA se aprende é com a vida e com os humildes.
sábado, 30 de abril de 2011
Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(Alexandre O'Neill)
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(Alexandre O'Neill)
sexta-feira, 22 de abril de 2011
JUÍZO
Muitas pessoas estão com carência e precisam de reposição.
Em falta em todas as farmácias!
Por ser muito caro o Governo distribuirá gratuitamente.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA
"Quem tem cultura enxerga mais longe, descortina novos horizontes. Quem não tem cultura tem visão limitada, limita-se às coisas e atividades do dia-a-dia. Quem tem cultura tem mais senso crítico, maior capacidade de análise das pessoas e das coisas..."
("Atividades de Educação Moral e Cívica" de Siqueira e Bertolin da editora IBEP)
Quem está na faixa de idade entre 40 e 50 anos, assim como eu, se lembra perfeitamente das aulas de Educação Moral e Cívica (EMC) e Organização Social e Política do Brasil (O.S.P.B).
Essas duas disciplinas curriculares, por terem sido incluídas no currículo escolar no período dito "Ditadura Militar" (como veremos mais adiante), acabaram por serem excluídas, como argumento de que era uma forma dos militares “formatarem” o pensamento dos jovens brasileiros.
Já na atualidade, devido a tantos desrespeitos à vida e aos semelhantes, escândalos na política e até no judiciário, crimes hediondos e outros, estão discutindo a volta da disciplina de EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA.
Fazendo uma leve reflexão, me vem à mente como aquelas aulas eram ministradas, conduzidas e quais os seus benefícios. Lembro-me bem de que embora alguns professores demonstrassem algum despreparo, na sua maioria, conseguiam conduzir com seus alunos, discussões importantes a cerca de temas que ainda hoje são atuais como respeito à vida; patriotismo; respeito às diferenças e aos diferentes; os valores morais e éticos; amor à pátria, respeito aos símbolos nacionais; dentre outros.
Nestas aulas nos eram apresentados alguns preceitos constitucionais; leis e sinalizações de trânsito; aprendíamos quais eram os partidos políticos e quais os significados das suas respectivas siglas.
Destaco aqui a importância que é dada ao patriotismo no E.U.A, que não se limita ao período de Copa Mundial de Futebol. Naquele país é comum vermos a sua bandeira ser mostrada em todos os filmes ali produzidos, como forma de enaltecer a auto-estima do seu povo, o que só traz benefícios ao crescimento nacional.
Vamos aqui discorrer sobre alguns dados históricos sobre a origem dessa disciplina.
Tudo começou com o Presidência da República Jânio Quadros que logo ao assumir baixou o Dec. 50.505, de 26.04.1961, cujo art. 1.° dispunha que "é obrigatória a prática de atividades extra-escolares, de natureza moral e cívica, nos estabelecimentos de qualquer ramo ou grau de ensino, públicos ou particulares, sob a jurisdição do Ministério da Educação e Cultura".
O Dec. 50.505/61 ressaltou as atividades de natureza moral e cívica que deveriam ser desenvolvidas como, (I) o hasteamento, no início da semana, do Pavilhão Nacional, com a presença do corpo discente e antes dos trabalhos escolares; (II) frequentes execuções do Hino Nacional, do Hino à Bandeira e de outros que sejam expressões coletivas das tradições do país; (III) comemoração das datas cívicas; (IV) estudo e divulgação da biografia e da importância histórica de personalidades do país; (VI) divulgação e debate sobre a realidade econômica e social do país, incluindo estudo da sua posição internacional; (IX) divulgação dos princípios fundamentais da Constituição Federal, dos valores que a informam e dos direitos e garantias individuais. (Grifo nosso)
Com a renúncia de Jânio Quadros e o reboliço político-partidário, que se seguiu, veio a Revolução Militar de 1964, com Castelo Branco na Presidência da República. Conhecido como patriota, o Presidente baixou o Dec. 58.023, de 21.03.1966, que dispunha sobre a educação moral e cívica em todo o país. O Departamento Nacional de Educação, órgão do MEC, ficou encarregado de estimular a educação cívica, "usando de processos capazes de incentivar a consciência cívica de cada comunidade." A formação cívica deveria processar-se "obrigatoriamente na escola, como prática educativa", "em todos os graus de ensino e ser preocupação dos professores em geral".
O decreto dispunha no art. 2.°, na conceituação dos princípios, que "a educação cívica visa a formar nos educandos e no povo em geral o sentimento de apreço à Pátria, de respeito às instituições, de fortalecimento da família, de obediência à lei, de fidelidade no trabalho e de integração na comunidade, de tal modo que todos se tornem, em clima de liberdade e responsabilidade, de cooperação e solidariedade humanas, cidadãos sinceros, convictos e fiéis no cumprimento dos seus deveres".(Grifo nosso)
Em 12.09.1969, quando o país era governado pela Junta Militar dos três Ministros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, foi baixado o Dec.-lei 869, pelo qual foi "instituída, em caráter obrigatório, como disciplina e,também, como prática educativa, a Educação Moral e Cívica, nas escolas de todos os graus e modalidades, dos sistemas de ensino do país." E o Dec.-lei exemplificava as finalidades que deveriam ser alcançadas, com o apoio nas tradições nacionais, como defesa dos princípios democráticos, da dignidade da pessoa humana, do amor à liberdade com responsabilidade, preservação dos valores espirituais e éticos da nacionalidade, preparo do cidadão para o exercício das atividades cívicas, com fundamento na moral, no patriotismo e na ação construtiva, visando ao bem comum e o culto de obediência à lei.(Grifo nosso)
O Dec.-lei 869 foi regulamentado pelo Dec. 68.065, de 14.01.1971, que acrescentou que a Educação Moral e Cívica, em face da lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, deveria somar-se ou articular-se com o ensino da Organização Social e Política Brasileira. Dispôs mais, que a Educação Moral e Cívica no ensino superior, inclusive na pós-graduação, deveria ser ministrada sob o enfoque de "estudos de problemas brasileiros". O decreto, para isso, buscou estimular a criação de Centros Cívicos ou instituições extra-classes, de qualquer espécie, com condições hábeis para desenvolver, de alguma forma, a educação moral e cívica e cooperar na formação ou aperfeiçoamento do caráter do educando. Cada escola deveria ter um orientador de Educação Moral e Cívica, assessorando o centro cívico.
A Educação Moral e Cívica está dentro da concepção da Pedagogia Social, designativa de uma educação, que enxerga o indivíduo como um ser mais comprometido com a comunidade e se dedica à formação de uma mentalidade ajustada ao convívio social.
O art. 205 da CF/88 dispõe que a "educação, direito de todos e dever do listado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".
Tabela retirada do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)
1971
Assunto: EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA
Autor: ALVES, LUIZ ANTONIO
TÍTULO: A EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA
Imprenta: Brasilia. v. 1, n. 2, p. 62-68, set., 1971.
Resumo A educação moral e cívica deve harmonizar tradição com progresso, a segurança com desenvolvimento. O civismo deve empolgar os jovens diante dos inúmeros problemas a serem enfrentados e que necessitam de um verdadeiro espírito de civismo, que compreende um diálogo entre os cidadãos de um país e, numa outra dimensão o diálogo entre nações.(Grifo nosso)
Não defendo aqui que seja mais uma matéria conteudista e que conduza a se decorar terminologias, siglas e conceitos, mas que seja um espaço escolar onde se possa desenvolver conversas entre os mestres e os alunos sobre patriotismo, ética, problemas atuais enfrentados no Brasil e no mundo, respeito ao ser humano, respeito às diferenças e aos diferentes, etc
Talvez alguém possa discordar de como essas disciplinas eram ministradas e conduzidas, mas acho pouco provável que alguém possa, em sã consciência, achar desnecessários que esses temas acima descritos sejam de suma importância hoje e sempre, por se tratarem de verdades universais (aceitas por todos os povos, em qualquer tempo ou cultura).
A pergunta que fica é: Porque algumas pessoas são contra a volta dessas aulas de Educação Moral e Cívica? Será que não seria interessante ter pessoas bem informadas e esclarecidas?
terça-feira, 19 de abril de 2011
19 de Abril – Dia do Exército – Ordem do Dia - Gen Ex Enzo
A cada 19 de abril celebramos, com indisfarçável orgulho, o Dia do Exército. Quem se debruçar sobre a história do Brasil verá um povo cheio de esperança, desde o descobrimento, lutando para ser capaz de escolher seu próprio destino. Verá, também, nas lutas contra o invasor, nos Montes Guararapes, em 1648, o surgimento do Exército Brasileiro, fundindo-se com o sopro inspirador do sentimento de pátria, que se eternizou nos nossos valores. E verá, ainda, esse mesmo Exército, em permanente evolução, participando ativamente da formação da nacionalidade brasileira, ajudando a sociedade -– à qual pertence e com quem mantém pacto indissolúvel – a conquistar seus sonhos; lutando com ela, sofrendo com ela, vencendo com ela. Aí estão as lutas pela manutenção da unidade nacional, pelo estabelecimento de fronteiras definitivas, pela independência, pela República e pela preservação da integridade territorial e da paz com os vizinhos.
Hoje, vivemos um momento singular dessa nossa história. É dada a esta geração a oportunidade – mais que isso: o dever – de cruzar a ponte que nos separou do futuro, deixando para trás, de forma definitiva e irreversível, o sonho de ser potência emergente para alinhar-se entre os principais atores globais, credor de respeito internacional, possuidor de voz ativa em foros mundiais e detentor de responsabilidades que ultrapassam nossas fronteiras.
Isso impõe, entre tantas outras urgências, a necessidade de um escudo para o nosso desenvolvimento; um aparato de dissuasão e defesa que dê visível musculatura à estatura do Brasil. Isso impõe, para a Força Terrestre, que se queimem etapas, para, de um salto ousado, se chegar à sua transformação, como já propõe a Estratégia Nacional de Defesa.
Nesse processo de transformação, que já vem ocorrendo, o Exército manterá a clareza de suas
ações – compartilhada com toda a sociedade – para que haja engajamento, acompanhamento e comprometimento de todos.
ações – compartilhada com toda a sociedade – para que haja engajamento, acompanhamento e comprometimento de todos.
Essa transformação estará dentro do contexto de mudanças por que passa o mundo inteiro. Fatos recentes ocorridos "na aldeia global" apontam para a necessidade de um exército dissuasor, mas também com múltiplas capacidades para enfrentar ameaças assimétricas e atender demandas de outras naturezas como tragédias ambientais; ocupação de áreas dominadas pelo crime organizado; segurança de grandes eventos; manutenção da posse de riquezas naturais; vigilância efetiva das nossas fronteiras e apoio ao desenvolvimento nacional.
Nesse contexto, como ator principal, está o nosso soldado – vossos filhos e filhas –, abnegado, disciplinado e crente nos valores e deveres que condicionam nossa vocação profissional; crente na missão que a nação nos confia; crente na submissão da própria vida à necessidade de defesa da pátria.
Povo Brasileiro, orgulhe-se de seu Exército genuinamente nacional, comprometido com os valores democráticos e em permanente estado de prontidão para defender nosso solo e nossa gente; ajudar na defesa civil; proteger nossas fronteiras; dissuadir intenções hostis, intimidações e ameaças; e respaldar decisões soberanas de um povo que, livremente, já escolheu seu destino!
Brasília, DF, 19 de abril de 2011
General-de-Exército ENZO MARTINS PERI
Comandante do Exército
quinta-feira, 14 de abril de 2011
SEXTING - MODA TAMBÉM NO BRASIL
O termo sexting já existe no dicionário (the practice of sending sexual images or messages to someone’s mobile phone – a prática de envio de imagens sexuais e mensagens para o celular de alguém) e é uma junção dois termos em inglês: sex (sexo) com texting (envio de mensagens). Nada mais é que o compartilhamento, via celular, de textos ou imagens de cunho sexual, mas passou a englobar também conteúdo exposto na internet.
Esse tipo de prática era mais comum nos EUA e na Europa, mas vem crescendo, particularmente entre os adolescentes brasileiros.
Uma pesquisa feita com 2.525 crianças e adolescentes brasileiros em 2009, pela Safernet (ONG de defesa dos direitos humanos na internet), revelou que já naquela época 12% deles admitiram terem publicado fotos íntimas na internet (o estudo não se restringia a telefones celulares).
Em alguns casos os jovens se deixam filmar ou fotografar de livre vontade, noutras acontece sem o seu consentimento e até mesmo sem o seu conhecimento.
O que muitos desconhecem é que a sexting é um crime tipificado no artigo 241, do Estatuto da criança e do adolescente, mesmo que a pena ainda seja muito branda.
"Pena de reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, para quem oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente." (Estatuto da criança e do adolescente).
Vale a pena lembrar que o Brasil tem mais de um telefone celular por habitante, e que cada vez mais os novos aparelhos vêm com recursos para tirar e enviar fotos e vídeos.
Outra coisa que não se pode olvidar é que depois de lançado na internet é quase impossível de se obter o controle desse material exposto.
Os pais devem estar atentos e informar aos seus filhos adolescentes do risco de se deixarem filmar ou fotografar em situações íntimas, mesmo que seja por pessoas consideradas de confiança (amigas, amigos, namoradas, namorados, etc), pois ninguém pode ter a certeza absoluta de onde irá parar esse material, que num futuro poderá ser até utilizado em sites de pedofilias.
Outra coisa importante que deve ser abordado pelos pais e educadores é que o jovem, pela própria natureza da idade e imaturidade, não pensa no futuro e se esquece de que um dia será um pai ou uma mãe, além de poder interferir na sua carreira pessoal e profissional, uma imagem negativa, publicada na rede mundial de computadores.
Esse problema de sexting tende a crescer com a expansão do Tablet, pois facilitará o envio de fotos e vídeo e é de fácil transporte.
Qualquer pessoa que veja conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adlescentes podem denunciar pelo site da safernet (http://www.safernet.org.br/site/denunciar) ou pode ir diretamente à polícia, não esquecendo de capturar o endereço eletrônico onde estava exposto o conteúdo ou copiar a tela do site.
Outros artigos relacionados com o tema:
- DENÚNCIA: http://www.safernet.org.br/site/denunciar
- Prática de "sexting" tem adesão de 25% dos jovens nos EUA
- Mania do "sexting" cresce entre adolescentes britânicos
- Mais crianças praticam sexting no Reino Unido
Competição sexual pela internet ou no celular é moda entre adolescentes
Microsoft tira cena de "sexting" de propaganda do smartphone Kin
quarta-feira, 13 de abril de 2011
RISCOFOBIA
Lendo a matéria: "Riscofobia gera mais ansiedade que prevenção, diz especialista", na Folha.com, Equilíbrio e Saúde, de 11 de abril de 2011 -, fiquei ainda mais convicto de tudo que penso sobre essa mania, que eu diria até "tara" que vivemos hoje – O MEDO!
Não quero aqui fazer apologia a uma vida desregrada, nem que não tomemos o devido cuidado ao atravessar uma rua. Contudo, estou ficando cheio de todos esses "especialistas em tudo" que ficam nos dizendo o que devemos fazer, o que não devemos fazer, como podemos e como não podemos fazer.
Estamos fabricando um mundo de medo. Não coma "isso" que lhe fará mal a saúde! Não beba "aquilo" que você vai ter sirrose hepática! Não ande sozinho nas ruas! Comer muito faz mal a saúde! Comer pouco faz mal a saúde! Colocamos grades nas janelas, blindamos carros, colocamos cercas elétricas, morremos de medo de energia nuclear, se chove entramos em pânico, se não chove entramos em desespero.
Além de tudo temos a infeliz mania de copiarmos todas as mazelas dos norte-americanos e a da moda é #medodetudo.
Todo esse excesso de medidas preventivas quanto aos "possíveis" riscos é bom ou ruim para a nossa saúde física e mental?
Será que um dia seremos capazes de controlarmos todos os imponderáveis das nossas vidas? Ou será que isso só vai nos trazer mais ansiedade, infelicidade e baixa qualidade de vida?
Um versículo Bíblico diz: "Não andeis ansiosos de coisa alguma..." Será que não é hora de seguirmos essa orientação, para o nosso próprio bem, independente de credo ou religião?
Será que um dia seremos capazes de controlarmos todos os imponderáveis das nossas vidas? Ou será que isso só vai nos trazer mais ansiedade, infelicidade e baixa qualidade de vida?
Um versículo Bíblico diz: "Não andeis ansiosos de coisa alguma..." Será que não é hora de seguirmos essa orientação, para o nosso próprio bem, independente de credo ou religião?
Eu creio que antes de ficarmos tão presos ao que podemos ou não fazer, devemos buscar fazer tudo aqui que nos dê prazer, pois a vida é muito curta e as fases da vidas são ainda mais efêmeras.
Quantas pessoas nunca beberam, nunca fumaram, viviam preocupadas em excesso com a alimentação e morreram jovens?
Segue abaixo alguns trechos da entrevista realizada por Iara Biderman, com o médico Luis David Castiel, epidemiologista, que estuda os fatores associados à difusão ou à prevenção de doenças - os chamados fatores de risco.
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/901040-riscofobia-gera-mais-ansiedade-que-prevencao-diz-especialista.shtml
http://marconipimenta.blogspot.com/2011/04/na-era-da-riscofobia-queremos-controlar.html
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/901040-riscofobia-gera-mais-ansiedade-que-prevencao-diz-especialista.shtml
http://marconipimenta.blogspot.com/2011/04/na-era-da-riscofobia-queremos-controlar.html
Não é contraditório um epidemiologista questionar o conceito de risco?
Luis David Castiel - Hoje em dia, a gente tem que justificar o papel da crítica. A academia está se tornando um local produtivista, e a crítica atrapalha o bom andamento dos trabalhos e resultados. Estamos numa era, para usar o clichê, da medicina baseada em evidências.
E qual o problema com a chamada "evidência"?
Vou ficar meio pernóstico, mas tudo bem: a evidência parte de um pressuposto de que a realidade é uma coisa autônoma, definível e independente da gente. Há uma espécie de premissa que não é esclarecida. E há também uma produção de evidências que está diretamente ligada à produção de mercadorias: remédios, equipamentos...
O conceito de risco em saúde também tem esse lado?
Tem, ele cria uma indústria de avaliação de risco que vende segurança. Vi uma propaganda de uma companhia de seguros que dizia: "Vai que...". Quer dizer, vai que acontece, então você não pode relaxar, tem que ficar atento. Isso aumenta a ansiedade em relação ao risco, que gera o impulso para fazer algo, ter ou consumir algo que possa controlá-lo.
Esse é o principal problema das avaliações de risco?
Tem também um lado opressivo que me incomoda. Uma dimensão moralista, que rotula as pessoas que se expõem ao risco como displicentes e que, portanto, merecem ser punidas [pela doença], se acontecer o evento ao qual estão se expondo.
Estamos à mercê dessa prescrição constante que a gente tem que seguir. Na hora em que você traz para perto a ameaça, tem que fazer uma gestão cotidiana dela. Não há como, você teria que controlar todos os riscos possíveis e os impossíveis de se imaginar. É a riscofobia.
terça-feira, 12 de abril de 2011
INVISÍVEL
Eu recebi este texto por e-mail e não tenho como confirmar a autoria, o que faria com o maior prazer, pois independente de se aconteceu ou não de verdade, a história é verdadeira.
Vemos todos os dias e as nem vemos casos de pessoas que se tornam invisíveis. Essas pessoas não precisam ser um gari ou um morador de rua.
Quantas vezes eu mesmo passei por um morador de rua, coloquei a mão no bolso, peguei alguns trocados e lhe dei, como se tivesse fazendo uma boa ação, mas que não verdade nem o respondo, quando ele me diz "obrigado". Outras vezes nem dava nada e virava o rosto pra não dar nada. Mas na verdade o que ele queria mesmo era apenas um pouco de atenção. Alguém que o visse!
As vezes é até um parente nosso: Pais, avós, esposas, esposos, tios, irmãos, amigos, vizinhos etc.
Pessoas que as vezes só querem um "bom dia"; "como foi o seu dia?"; "como você está?"; "está precisando de alguma coisa?" Enfim...ELES SÓ QUEREM SAIR DA INVISIBILIDADE.
TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO
"O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE"
"Fingi ser gari por 1 mês e vivi como um ser invisível"
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da "invisibilidade pública". Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.
(Plínio Delphino, Diário de São Paulo.)
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.
Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'.
Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: 'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.
'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço.
Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro.
Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
"E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?" E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central.
Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de um mês trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.
Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa.
Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.
Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma "COISA".
*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!
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